06 fevereiro 2019

História de Martinópolis.


Por:José Carlos Daltozo.
Estação de Martinópolis. Foto: Arquivo pessoal do autor.

Se existisse um documento atestando a certidão de nascimento para todas as cidades, certamente a de Martinópolis constaria como mãe a ferrovia e como pai o café. Foi exatamente por causa desse binômio, café-ferrovia, que ela surgiu, cresceu e hoje é uma progressista cidade de mais de 25.000 habitantes.
A ferrovia era a Estrada de Ferro Sorocabana e o café era, na época, a lavoura mais importante do Estado de São Paulo, os colonizadores procuravam desesperadamente terras virgens para colonizar e vender sítios e fazendas para quem quisesse implantar novas lavouras.
A E. F. Sorocabana foi espalhando seus trilhos nos espigões, desde Salto Grande, onde chegou em 1910, até Porto Tibiriçá (atual Porto Epitácio), nas barrancas do Rio Paraná, onde chegou em 1922.
Em Martinópolis, que na época se chamava Estação de José Teodoro, homenagem a um grande posseiro de meados do século 19, a ferrovia chegou na manhã de 05 de agosto de 1917. O início do povoado só ocorreu sete anos depois da chegada dos trilhos. O Coronel João Gomes Martins adquiriu a fazenda de dez mil alqueires fronteiriça à estação, em 17 de novembro de 1924, iniciando o loteamento. Contratou agrimensor e fez o arruamento do insipiente povoado de José Teodoro, retalhando o restante da propriedade em chácaras, sítios e fazendas., denominando-a Núcleo Colonial Boa Ventura, da Colonização Martins.
Duas grandes correntes de lavradores vieram para cá. Uma, os japoneses, formaram uma colônia numerosa até a década de 1960, eram atraídos pelo funcionário da Colonização Martins de nome Tomikichi Ogata, responsável pela Seção Japonesa. Outro funcionário da Colonização, chamado Eugenio de Melo, era fluminense e atraia crescentes levas de moradores das regiões serranas do Rio de Janeiro para Martinópolis. Ambos influenciavam seus conterrâneos, mostrando a eles que mesmo com pouco dinheiro e muita disposição para vencer, poderiam comprar seu próprio pedaço de terras de cultivo.
Os primeiros moradores da zona rural do então povoado de José Teodoro (atual Martinópolis), que compraram terras em fins de 1924 e durante o ano de 1925, foram as famílias Tudisco, Saram, Quaranta, Valentim, Baptistela, Senteio, Ogata, Esposito,  Nunes,Junqueira, Trucolo, Fiorindo, Caldeira e Escórcia.
 Na  zona urbana, os primeiros comerciantes foram as famílias Contini, Felisari e Reginato, com suas olarias, Parente e Senteio com armazém de secos e molhados e ainda as famílias Bidóia, Figueira, Yanagui, Andrade, Falkemback, Lopes e Girotto.
Aspecto de um antigo prédio em Martinópolis. Foto: Arquivo pessoal do autor.

Um levantamento efetuado em 15.11.1927 constatou a existência de 1.395 habitantes, entre zona urbana e rural. Descrevia ainda que o povoado possuía 3 olarias, 2 serrarias, 1 moinho de fubá, 4 casas de secos e molhados, 1 padaria, 1 garagem, 13 automóveis e caminhões, 1 carpintaria, 1 oficina mecânica, 1 hotel e 1 ferreiro.
Os anos foram passando e, apenas cinco anos depois do início do loteamento, o povoado de José Teodoro começou a alçar voo rumo à sua independência. O primeiro passo foi a transformação em Distrito de Paz, o que foi conseguido em 20 de dezembro de 1929, pela Lei Estadual 2.392, pertencendo ao município e comarca de Presidente Prudente
O distrito passou a se destacar na produção de café e algodão e a luta era pela emancipação total. Conseguiram o intento quando, pelo Decreto 9775, de 30 de novembro de 1938, publicado no Diário Oficial de 19 de dezembro de 1938, o então distrito de José Teodoro passou a ser o município de Martinópolis. A instalação oficial ocorreu em 29 de janeiro de 1939 e judicialmente continuou a pertencer à comarca de Presidente Prudente.
A mudança de nome da cidade foi uma reivindicação em homenagem ao seu colonizador, João Gomes Martins, que havia falecido dois anos antes, em 1937. Martinópolis significa “cidade dos Martins.
 Na época vigorava no Brasil a ditadura Vargas e não havia eleições diretas para escolha de prefeitos e vereadores. Os prefeitos eram nomeados pelo interventor estadual e não existia Câmara de Vereadores. O primeiro prefeito nomeado foi o farmacêutico Octávio Gonçalves de Oliveira. Após seu mandato foram nomeados outros, como Dr. João Grande de Mello, José Victor Pedrozo Chagas, Eleazar Galvão, Oscar Cabral, Antonio Angelini, este em 17.04.1947, ficando até a realização de eleições municipais.
Em 01 de janeiro de 1948 finalmente tomou posse o primeiro prefeito eleito pelo povo, em eleições livres, o comerciante João Batista Berbert, que ficou no cargo até dezembro de 1951. Os prefeitos eleitos em seguida foram Francisco Belo Galindo, Arlindo de Oliveira, Silvio Genaro, Estefânio Alves Portela, Antonino Leite Oliveira, Adelino Simões de Carvalho Filho, Dr. José Carlos Macuco Janini, Luiz 
Antonio Leite Oliveira, Dr. Arthur Galvão de Melo, Antonio Leal Cordeiro, José Valentim Neto, novamente Antonio Leal Cordeiro, Waldemir Caetano de Souza, Rondinelli Oliveira, Antonio Leal Cordeiro e Ilza Filazi Ascêncio (os três no mesmo mandato) e Dr. Cristiano Engel.
O decreto 14.334, de 30 de novembro de 1944, criou a comarca de Martinópolis. Foi a 140º comarca do Estado, instalada oficialmente em 13 de junho de 1945, tendo sob sua jurisdição o município de Regente Feijó que, por sua vez, possuía os distritos de Indiana, Caiabu e Taciba, hoje municípios autônomos.             
O juiz instalador em 1945 foi o Dr. Olavo Ferreira Prado. Atualmente a nossa comarca tem sob sua jurisdição apenas o vizinho município de Indiana.
Martinópolis é hoje um município com área territorial de 1.256 km2, um dos mais extensos do Estado de São Paulo.  O café, que ocasionou o surgimento da cidade, hoje é produzido em escala reduzida, apenas meia dúzia de propriedades. O algodão, que sucedeu o café e que já foi chamado de “ouro branco” nas décadas de 1940 a 1960, também é pouco produzido atualmente, devido problemas de terras exauridas, altos custos de produção e preço irrisório na venda da colheita. Martinópolis bateu recordes de produção no ano de 1955, quando foi o maior município produtor do Estado de São Paulo, com 2.389.200 arrobas colhidas, em 51.600 hectares plantados. Outra lavoura que teve expressiva produção na década de 1960 e 1970 foi o amendoim.
Lavouras de milho e feijão são cultivadas no município, mas a produção não é expressiva. A pecuária, principalmente de corte, é o que tem predominado atualmente. No entanto, essa primazia está cedendo espaço, nos últimos cinco anos, para as lavouras de cana-de-açúcar. Há várias usinas de açúcar e álcool situadas em municípios vizinhos que arrendam terras para o plantio de cana em nosso território. Também foi implantada, dentro do nosso território, a USINA ATENA, provocando o surgimento de milhares de alqueires de novas lavouras de cana. Muitos fazendeiros estão desistindo da criação de gado de corte e acreditando na cana-de-açúcar para obter uma renda anual satisfatória, sem muito trabalho.  
                  
(Texto extraído do livro: MARTINÓPOLIS, SUA HISTÓRIA E SUA GENTE, autoria de José Carlos Daltozo, editado em 1999).

Imagética de Martinópolis.




Fotos: Arquivo pessoal do autor.


21 janeiro 2019

Onda Branca, distrito de Nova Granada.

Igrejinha de Onda Branca. Foto: Alexandre de Freitas-2019.

Onda Branca é um pequeno distrito de Nova Granada criado pelo decreto-lei nº 14334 de 30 de novembro de 1944, fica às margens da rodovia Luiz Delbem, SP 423, que liga Palestina à BR 153-Transbrasiliana, dista aproximadamente 8 quilômetros da rodovia federal. Foi o último distrito de Nova Granada a ser criado, Ingás, Mangaratu, Palestina e Onda Verde (hoje essas duas últimas são cidades) são mais antigas que Onda Branca. 
A criação de Onda Branca está ligada à cultura do algodão, são poucas as fontes escritas, mas oralmente a localidade é muito conhecida em toda região. Ela rivalizava com Onda Verde, esta teve o nome devido ao café, e Onda Branca devido ao algodão. Fontes orais relatam que a localidade possuía máquinas de beneficiar algodão e café, barbearia, sapataria e armazéns de porte significativo. O progresso veio rápido e partiu rápido, ao que tudo indica, uma explicação plausível refere-se à cultura do algodão que ganhou força na região devido à 2ª Guerra Mundial, quando essa cultura foi diminuindo a localidade foi perdendo população.
Em conversa com moradores locais, nota-se uma nostalgia ao passado promissor, segundo os moradores a localidade possui hoje em torno de 200 pessoas, as quais utilizam ônibus de Palestina para ir a outras localidades.
O Instituto Geográfico e Geológico de São Paulo cartografou Onda Branca em 1948.
    
Reminiscências.
No fim da década de 1970, meu avó era comerciante de fumo de corda e em Onda Branca passei com ele algumas vezes, a localidade parecia possuir mais comércio e ser mais movimentada.

Aspecto de uma rua Onda Branca.

Placa em um Centro Comunitário. 

Estabelecimento comercial em Onda Branca.

Vista de uma rua na localidade.

Estabelecimento comerciais desativados.

Detalhes que remetem a resquícios rudimentares de Art Déco em estabelecimento comercial.

Placa no Posto de Saúde da localidade.

Referência: IBGE.
Fotos: Alexandre de Freitas-2019.
Sugestões de leituras.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...