quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Cemitério de Cravinhos

Cemitério de Cravinhos por volta de 1922.
GOMES, F. p. 142.
Nem sempre houve cemitérios no sentido que conhecemos hoje. O sepultamento do corpo de uma pessoa também varia muito de cultura para cultura. A história dos cemitérios no Brasil se assemelha à história dos cemitérios no mundo ocidental.
A partir do século XVII, e principalmente no século XIX, surgem os cemitérios. Até então os corpos eram enterrados no interior de igrejas, como a crescimento das cidades perceberam uma necessidade sanitária de enterrar os mortos em locais apropriados, construídos para esse fim.
A princípio essa ideia não foi bem recebida pela alta sociedade, pois os enterrado fora das igrejas eram os não-cristãos e os escravos. Mas, por volta do século XIX, a construção de cemitérios públicos começou a representar uma inovação urbana na França, fator que influenciou outros países a seguir esse exemplo.
Não demorou muito para a burguesia perceber que os cemitérios eram um lugar perfeito para mostrar o poder econômico que o morto tinha em vida. É assim que vemos maunsoléus espetaculares em quase todos cemitérios do mundo, túmulos que valem mais que uma residência, obras de arte e estátuas feitos por exímios artistas, etc.
Analisado dessa forma, o cemitério de Cravinhos faz parte desse contexto. Um dos mais antigos ainda funcional da região de Ribeirão Preto.
Foi construído em 1893, por Francisco dos Santos Bomfim, grande fazendeiro que contribuiu com a fundação de cidades da região. Foi construído há 2,5 Km da cidade, hoje está inserido na área urbana de Cravinhos. Esse campo santo impressiona pelos seus túmulos, muitos deles do século XIX, uma riqueza histórica que, diga-se de passagem, não é muito compreendida pelo grosso da população cravinhense.
Em 1922, o professor Francisco Gomes escrevia o seguinte sobre tal cemitério:
"Por um largo e vistoso portão de ferro, temos nele entrada,defrontamo-nos à primeira vista, uma longa alea (?) ladeada de belos mausoléos tendo ao fundo uma capela onde são celebrados todos os anos e no dia de finados diversas solenidades religiosas." (GOMES, F. P141. )
Um cemitério, pelo menos para os mais atentos, proporciona-nos várias análises - históricas, socieconômica, espectativa de vida, etc. Cravinhos como grande produtora de café ostenta em seu cemitério túmulos e mausoléus de primeira grandeza. Por outro lado, nota-se a mortandade de muitas criança no final de século XIX e início do século XX. Fator que assolava não a cidade mas o Brasil como um todo.
Acompanhem comigo mais imagens do cemitério de Cravinhos.




Características de um túmulo de criança falecida em tenra idade.














Lê-se nesse túmulo:

Jazigo perpétuo do inocente José.
Filho de Teodoro Ramos e Zulmira de Oliveira Ramos. Nascido a 4 de dezembro de 1905 e falecido a 10 de agosto de 1907.

Um túmulo de 103 anos.





Esse túmulo com característica interessantes, dá a entender uma foice que ceifa a vida. Ao pé desse túmulo lê-se:

Ângela Gasparetto Affini.
Que esulou (?) para as regiões eternas em 12/09/1910.









Esse é o túmulo de Francisco dos Santos Bomfim, o que promoveu a construção do cemitério.
Seu nome é muito conhecido na região de Ribeirão Preto.
Nasceu em 1849 e faleceu em 1898. A construção de uma igrejinha secular de Cravinhos, desmoranada parcialmente em 2009, é obra dele também.








Esses mausoléus são os mesmo da foto de 1922.
Alguns em bons estado de conservação, outros com infiltrações e com vegetação se ramificando em suas paredes.














Figura de um anjo na entrada de um mausoléu.
Nota-se a expressão de tristeza e a delicadeza nos traços.

















Mais um túmulo de criança.
Dá a impressão de estar olhando para baixo, no próprio túmulo.













Vista da rua principal do cemitério.
O cemitério é cortado por duas ruas principais que se cruzam no meio formando uma cruz.








Referências.
GOMES, F. Cravinhos: histórico, geográfico, comercial, agrícola. Riberirão Preto: Selles, 1922.
Cemitério Parque Senhor do Bonfim.
Fotos: Alexandre de Freitas. Se usá-las, por favor cite a fonte.
Leituras relacionadas.
Cravinhos Online.
A Evidência do descaso com o patrimônio histórico.
As 10 maiores cidades da região administrativa de Ribeirão Preto.

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